LANÇAMENTO - FORD EDGE


O carro certo na hora errada?
Por Gustavo do Carmo

Em fevereiro abri a temporada 2008 do Guscar, ainda nos fotologs, falando do Ford Edge, que seria importado no decorrer do ano. Na ocasião me mostrei preocupado com a origem do modelo, que é fabricado no Canadá. Estava torcendo por uma possível produção no México, país com o qual temos acordo comercial.

Parecia que eu estava pressentindo a atual recessão das bolsas de valores, que já preocupava em janeiro. A minha torcida não deu certo e o Ford Edge vem mesmo do Canadá (da fábrica de Oakville, Ontario), neste final de ano, em meio a já consolidada crise econômica que aqui elevou o dólar para R$ 2,50.

Quando foi apresentado no Salão do Automóvel, em outubro, o utilitário esportivo já foi anunciado com o preço de 149,7 mil reais. É quanto custa a sua (teoricamente) única versão SEL, com motor V6 Duratec de 3.5 litros, de 24 válvulas, que rende 269 cavalos de potência e 34,6 kgfm de torque. A transmissão é automática seqüencial de seis marchas. Mas o seu único opcional é tão caro que parece ser uma outra versão do Edge: o teto solar duplo e elétrico na parte da frente, que cobre 70% do habitáculo e eleva o preço para R$ 158.530.


Oficialmente o Edge é um crossover, aquele carro com jeito de utilitário esportivo com conforto de sedã. A tração integral não falta para comprovar isso. Mas o novo importado da Ford pode ser entendido como uma versão perua do Ford Fusion. A ligação com o três volumes não está só na mesma plataforma. A grade de três lâminas também está presente, embora o Fusion tenha sido reestilizado para o ano que vem. A diferença é que as luzes de direção invadem as laterais. Só a traseira reta me pareceu muito americanizada, ou seja, conservadora demais.

Completando o visual, a linha de cintura é baixa, dando um toque mais esportivo e as rodas de liga-leve têm 18 polegadas. O Edge tem 4,72 metros de comprimento, 2,22 metros de largura e 2,82 metros de distância entreeixos. Na pista, o crossover acelera de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos e tem velocidade máxima limitada eletronicamente a 180 km/h. O seu consumo é de 6,8 km/litro na cidade e 8,8 km/l na estrada.

As maiores qualidades do Edge estão no seu interior, que é espaçoso, aconchegante, bem acabado e silencioso. O painel tem console central prateado e mostradores clássicos, mais uma vez seguindo (levemente) o estilo do Fusion. O banco traseiro é reclinável e a Ford promete 908 litros de capacidade no porta-malas.
Destaque para a lista de equipamentos que inclui ar-condicionado digital de duas zonas, computador de bordo com diagnóstico e bússola, ajuste de altura e profundidade da coluna de direção, controle de rádio no volante, airbags frontais e laterais tipo cortina, freios com ABS e EBD, controle eletrônico de tração e estabilidade, sistema de auxílio de rolagem de carroceria, monitoramento "wireless" da pressão dos pneus e o sistema Sync Entertainment Media, desenvolvido em parceria com a Microsoft, que é dotado de DVD, CD Player com capacidade para seis discos, oito alto-falantes, subwoofer, amplificador de 190W, entrada para iPod e USB, disco rígido de até 10 gigas para armazenar músicas, fotos e filmes, bluetooth, comandos por voz e navegação por satélite. Grande parte destes recursos é operada no monitor de 6,5 polegadas com toque na tela.

A carroceria tem seis opções de cores: branco Málaga, preto Chamonix, prata Munique, vermelho Moscou, azul Toulouse e cinza Berlim. A garantia é de três anos, sem limite de quilometragem. Para fazer com que o fã do Chevrolet Captiva, que custa no máximo 101 mil reais, gaste mais 48 mil, a Ford preparou um atendimento especial com espaço exclusivo nas concessionárias, test-drive prolongado, sistema leva-e-traz durante a manutenção e equipe própria para agendar a revisão.

Na faixa de preço os concorrentes do Edge são o Mitsubishi Pajero Full, o Hyundai Veracruz, o Jeep Grand Cherokee, Toyota Hilux SW4 e, nos próximos meses, o Volkswagen Tiguan. Comparando com estes modelos, talvez o novo utilitário da Ford seja o carro certo neste momento tão errado da economia mundial.

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